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A solidão tem má fama.

A gente aprende cedo a fugir dela, a preencher o silêncio com barulho, a agenda com compromissos, o celular com notificações. Como se estar só fosse um problema a resolver, uma falha a esconder.

Mas existe uma diferença entre solidão e vazio. O vazio é o que sentimos quando estamos cercados de gente e ainda assim distantes de nós mesmos. A solidão de verdade, aquela escolhida, aquela habitada com consciência, é outra coisa.

É onde a gente se encontra.

Quando o barulho termina, sobra a pessoa que vai estar conosco em todos os dias da vida: nós mesmos. E muita gente tem medo justamente disso, de sentar em silêncio e descobrir o que está lá.

Eu já fui a pessoa que preferia qualquer companhia a encarar a própria presença, que confundia agitação com vida. Mas entendi que quem não aprende a estar bem consigo mesmo acaba dependendo dos outros para existir. Usa as pessoas como remédio para uma dor que só a própria presença pode curar.

A solidão ensina coisas que nenhuma conversa ensina: ela mostra quem você é quando ninguém está olhando, o que você fala quando ninguém está ouvindo, o que você sente quando ninguém está por perto para distrair.

É ali que nasce o que é real.

Quem aprende a habitar a própria solidão para de precisar desesperadamente da aprovação do mundo. As escolhas ficam mais honestas, a produção de conteúdo, o trabalho, os relacionamentos, tudo ganha outra qualidade, porque vem de um lugar que não depende de aplauso.

A solidão não é ausência de vida.

Às vezes, é onde a vida de verdade começa e isso é um presente do Universo.

Até sexta,
Marcos Strider

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Marcos Strider

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