
essa newsletter foi escrita por um humano
Existe um paradoxo silencioso na vida de muita gente: quanto mais uma pessoa coloca seu foco em ler os outros, seus padrões, suas feridas, suas motivações, menos tempo e energia sobram para voltar o olhar para dentro.
É fácil se tornar um especialista da vida alheia. A gente aprende a identificar o trauma do amigo na fala do pai, o medo de abandono na forma como alguém manda mensagem, a insegurança escondida atrás da arrogância do colega. Há uma espécie de prazer intelectual nisso, quase um poder: entender os outros antes que eles se entendam.
Mas enquanto exercemos esse olhar para fora, uma pergunta vai sendo adiada: E eu? O que está acontecendo comigo?
A autoconsciência é desconfortável de um jeito que a consciência sobre o outro não é. Quando analisamos alguém de fora, mantemos distância segura, somos o observador, não o observado. Virar esse olhar para dentro exige uma coragem diferente: a de ser ao mesmo tempo quem vê e quem é visto.
Esse desvio não é sempre consciente. Às vezes ele se disfarça de generosidade, "estou querendo te ajudar", ou de curiosidade intelectual, "gosto de analisar o comportamento humano". E pode ser as duas coisas, o problema não está no interesse pelo outro, mas no uso desse interesse como fuga de si.
Conhecer-se é um trabalho mais lento, menos glamouroso, não tem a satisfação de "decifrar" alguém. Exige sentar com o que é incerto, contraditório, ainda sem nome dentro de nós. Exige admitir que algumas respostas podem demorar.
Há uma diferença sutil, mas profunda, entre quem faz terapia para entender os outros melhor e quem faz para se entender. Entre quem lê sobre psicologia para ter ferramentas e quem usa essas ferramentas para não precisar olhar para a própria bagunça, para o próprio descontrole emocional, para os próprios pensamentos repetitivos e acelerados.
Ninguém se torna especialista em si mesmo de uma vez, é uma jornada, às vezes de uma vida inteira. Porque no fim, o único ser humano sobre o qual temos total responsabilidade de conhecer somos nós mesmos. Os outros são um convite à empatia, nós somos uma obrigação de presença.
A sua tarefa essa semana é simples: toda vez que você se incomodar com o comportamento do outro, você vai se perguntar “o que isso diz sobre mim?”.
Faça isso e anote, sexta-feira voltarei aqui e quero saber o que você escreveu. Até lá.
Marcos Strider

O que está em alta é ser você!
Este livro é um convite para você sair do modo automático e viver com tesão ― no corpo, na fala e na alma.
ASSISTA AO ÚLTIMO EPISÓDIO DO STRIDERCAST
No STRIDERCAST de hoje falo sobre raças alienígenas, El Niño, Copa do Mundo, Eleições e o que você deve fazer nesse momento caótico que estamos vivendo. Se prepare para 2026.
+ ASSISTA AQUI.
Quem treina, REINA!
